Tive um surto depressivo e fiquei dois meses internada em uma clínica. Entrei ali fragilizada, mas saí carregando marcas que ainda ecoam dentro de mim.Foi naquele lugar que aprendi, através das histórias e da convivência, como as comorbidades são vistas por quem não precisa conviver com elas. Aprendi que, para muitos, pessoas em sofrimento psíquico se tornam descartáveis. Que, a não ser que tenham algo financeiramente a oferecer, são deixadas ali quase como se o objetivo fosse que fossem esquecidas.
Saí da internação em agosto de 2025, mas a internação não saiu de mim. Ela ainda reverbera no meu subconsciente. Tenho pesadelos recorrentes em que volto a morar naquele lugar. Acordo com a sensação de que nunca fui embora. Isso me afeta de uma maneira que ainda não sei controlar. Não consegui falar sobre isso em terapia e, hoje, estou sem ela.
Lá dentro, disseram que eu era esquizofrênica. Chamavam o lugar de “recanto de paz”. Para mim, as noites eram longas e chorosas, quando eu conseguia dormir. Vivi situações que não gosto nem de descrever. Fui obrigada a participar de atividades que não queria. Quando perguntei o porquê, a jovem psicóloga não gostou da minha postura. Fui chamada de imatura.