Há noites que não há estrelas no céu, uma escuridão nos corrói e invade nosso ser.Nos tornamos impostores de nossa própria história, nada é colorido, nada tem brilho, é tudo preto e branco (além de preto no branco).Nossos ombros ficam pesados, rolar na cama torna-se um esforço imenso, fechar os olhos ao dormir não é mais conforto, a gente aperta os olhos com força afim do sono chegar, mas ele não chega, ele não vem e o que chega é um aperto no peito, que sufoca, disparando nossa respiração e acelerando nossos pensamentos...e a madrugada se alonga como um corredor sem portas. O silêncio pesa, mas dentro dele há um ruído constante de lembranças, culpas, perguntas sem respostas, a gente tenta fugir de si mesmo, mas é no próprio Eu que moramos e não há para onde correr.
Nos sufocamos com nossa próprias lembranças, ansiamos por um futuro distante, nebuloso e até mesmo inexistente, nadamos no mar de nossas próprias dúvidas, nos sabotamos e jogamos o colete salva-vidas fora, aprender a nadar é uma opção.A noite escura sem estrelas é nossa única companheira, mas no fim das contas, será que devemos nos entregar?
A sombra em dias frios não esquenta, mas mesmo assim, ela é aconchegante quando se sabe aonde escorar.Talvez o que cresceu com o meu medo, minhas dúvidas, não seja tão sufocante assim, basta eu enxergar melhor e mesmo em uma noite sem estrelas, há uma lua e mesmo sem lua, há casas com luzes acessas guiando-me para o caminho de volta pra casa, para a MINHA casa. Sobrevivência não é morada, vivência é um chamado que se faz todos os dias, há dias que a vontade de viver se esvazia, mas a gente luta e faz a cabeça voltar para os eixos, para pensamentos bons e realistas.A gente aprende a respirar, a acolher nossas demandas.
As noites vão ficando menos longas, a respiração volta a ficar calma e as estrelas reaparecem no nosso céu.