Entre acordes e lutos: Fazendo as pazes no meu próprio ritmo

 Por conta de muitas coisas que aconteceram, me tornei uma pessoa receosa, que quer se esconder, sumir e não interagir. Isso me faz mal e, se tratando da pessoa criativa que sou, isso me faz extremamente mal. Me expressar através da fotografia, desenho e escrita é minha fuga; mesmo sendo introspectiva e introvertida, as pessoas e seus mundos me fascinam. O luto me fez refletir sobre viver e vivenciar, algo que não estou fazendo desde quando voltei da internação em uma clínica devido à minha depressão. E, enquanto escrevo isso, me veio a canção Live and Learn, do Angra:


Remember the first time you've faced the dark


Why were you so afraid? 


Hiding so many secrets inside 


When fears have got to be tamed


Viver deprimida e com medo é um desafio. A ansiedade tenta domar minha percepção e isso afeta muito meu senso de julgamento. Acredito que, antes mesmo do falecimento do meu pai, eu estava vivendo um luto, pois a internação me fez perder proximidade com pessoas e uma, até agora, não sabe que estive em surto depressivo. Eu quis me distanciar de tudo: queimei diários, joguei fora coisas que me traziam dor e, aos poucos, fui perdendo um pouco de mim, usando roupas que quem me conhece saberia na hora que há algo de errado comigo. Eu compreendi que não é sobre algoritmos, não sou obrigada a fazer conteúdo. Eu apaguei 90% das minhas fotos pessoais e, sabe, estou publicando meus stories simples e cringe; estou fazendo as pazes comigo mesma.

Ontem fiquei reflexiva sobre o luto; foi um dia denso, pesado e difícil de passar. Chorei, fiquei com raiva e me isolei. À noite demorei para dormir e não quero ir ao velório. Como minha mãe disse: "não tem remédio para a morte, não adianta ter presença para um morto". Na minha terapia, o assunto era sobre a minha criança ferida e é sobre isso: estou tentando buscar essa criança de forma mais leve. Por mais que digam que a internet seja um veneno, ela me trouxe pessoas para perto que me ensinaram e me vivenciaram, tentaram me ensinar a me celebrar mais e é sobre isso. Bem na hora que escrevi isso, passou o trecho de Caça e Caçador, do Angra, onde diz: "A esperar resposta pro que vou viver, se um dia foi da caça, quem irá saber? Espero que o tempo faça-me entender que o corpo cai na terra e ela há de comer, tudo outra vez". Meu pai cometeu seus erros; perdoei, mesmo não querendo estar presente na vida dele, pois, afinal de contas, ele foi ausente na minha.

A vida é um sopro para ficar com medo, receio e perder chances de vivenciar coisas maravilhosas, seja onde for! Óbvio que quero que esse espaço seja seguro, por isso não vinculei o link do blog no Instagram, mas tem que haver cadência e equilíbrio, e eu estou reaprendendo a ter. Esse é o meu ano de recomeço em vários aspectos e não está sendo fácil; meu foco é permanecer e, a passos vagarosos, me cuidar, pois as crises estão severas. Mas, sobre isso, talvez seja assunto para outro dia.