Hoje...

 19:03

Estou tentando não desistir, por isso decidi catalogar a minha jornada não em papel, mas virtualmente. Para que eu não rasgue, queime ou jogue no lixo.

Estou no escuro. Prefiro não me expor para quem finge empatia e simpatia. Eu não vou desistir; eu prometo a mim mesma.

Um dia após o outro, prometo seguir em frente, mesmo tropeçando.

Hoje eu pensei, mais uma vez, em desistir...

19:05

O que ainda reverbera

Tive um surto depressivo e fiquei dois meses internada em uma clínica. Entrei ali fragilizada, mas saí carregando marcas que ainda ecoam dentro de mim.Foi naquele lugar que aprendi, através das histórias e da convivência, como as comorbidades são vistas por quem não precisa conviver com elas. Aprendi que, para muitos, pessoas em sofrimento psíquico se tornam descartáveis. Que, a não ser que tenham algo financeiramente a oferecer, são deixadas ali  quase como se o objetivo fosse que fossem esquecidas.

Saí da internação em agosto de 2025, mas a internação não saiu de mim. Ela ainda reverbera no meu subconsciente. Tenho pesadelos recorrentes em que volto a morar naquele lugar. Acordo com a sensação de que nunca fui embora. Isso me afeta de uma maneira que ainda não sei controlar. Não consegui falar sobre isso em terapia  e, hoje, estou sem ela.

Lá dentro, disseram que eu era esquizofrênica. Chamavam o lugar de “recanto de paz”. Para mim, as noites eram longas e chorosas, quando eu conseguia dormir. Vivi situações que não gosto nem de descrever. Fui obrigada a participar de atividades que não queria. Quando perguntei o porquê, a jovem psicóloga não gostou da minha postura. Fui chamada de imatura.

Sobre sobreviver em noites sombrias (é sobre ter ansiedade crônica)

Há noites que não há estrelas no céu, uma escuridão nos corrói e invade nosso ser.Nos tornamos impostores de nossa própria história, nada é colorido, nada tem brilho, é tudo preto e branco (além de preto no branco).Nossos ombros ficam pesados, rolar na cama torna-se um esforço imenso, fechar os olhos ao dormir não é mais conforto, a gente aperta os olhos com força afim do sono chegar, mas ele não chega, ele não vem e o que chega é um aperto no peito, que sufoca, disparando nossa respiração e acelerando nossos pensamentos...e a madrugada se alonga como um corredor sem portas. O silêncio pesa, mas dentro dele há um ruído constante de lembranças, culpas, perguntas sem respostas, a gente tenta fugir de si mesmo, mas é no próprio Eu que moramos e não há para onde correr.

Nos sufocamos com nossa próprias lembranças, ansiamos por um futuro distante, nebuloso e até mesmo inexistente, nadamos no mar de nossas próprias dúvidas, nos sabotamos e jogamos o colete salva-vidas fora, aprender a nadar é uma opção.A noite escura sem estrelas é nossa única companheira, mas no fim das contas, será que devemos nos entregar?

Ser gentil comigo

Por vezes pego-me vigilante demais, ansiosa demais e gentil de menos comigo. Como se eu precisasse dar conta de tudo, o tempo todo, sem falhar, sem pausa. Aí eu lembro do café esfriando devagar ao meu lado e da página em branco que não me cobra nada  só me espera. Respiro, diminuo o ritmo, e tento falar comigo com mais carinho. Nem sempre consigo, mas quando consigo, tudo fica um pouco mais leve.

Está mega difícil recomeçar, as cobranças vem e vão, o cansaço sempre está  aqui e permanece por dias. A depressão abocanha toda nossa percepção real de mundo, a gente se compara com o sangue jovem, por vezes acredito que estou atrasada, que perdi bom aproveitamento da minha vida, lembro-me de quem já partiu (jovem) e fico fitando minhas percepções como inimigas, o que deixa tudo meio que amargo!

Fico pensando (e penando pra fazer isso) se fiz escolhas certas, se foi bom eu ter me desfeito de vínculos, laços e ter recomeçado como eu queria fazer...sendo eu mesma, sem fronteira autoimposta!

Quem sou eu...

 Quem sou eu? Já fui muito insegura, mas agora sou uma insegura consciente das minhas qualidades, eu luto contra a depressão, mas a cada dia ela me vence menos.Sou uma pessoa que percebeu que idade é só um número e quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que apenas eu devo ser agradada. Não se trata de ser egoísta, mas se priorizar e se importar menos em agradar aos outros, quem te admira sabe que tu é quem é, em meio a uma imperfeição que faz de você singular.Sou o que sou, por conta das minhas feridas, cicatrizes e experiências.

E é justamente isso que me faz real. Não sou feita só de acertos, nem só de erros  sou mistura, processo, caminho andado. Tem dias em que eu tropeço nas minhas próprias dúvidas, mas também tem dias em que eu olho pra trás e penso: caramba, eu sobrevivi a tudo isso. E sobreviver já é uma vitória válida,aprendi que ser forte não é não chorar, é continuar mesmo chorando, que a gente não precisa estar 100% bem pra seguir em frente. Que às vezes crescer dói, mudar assusta, e se escolher todo dia dá trabalho… mas vale a pena, porque no fim, quando eu me olho de verdade, eu vejo alguém imperfeita sim,  mas corajosa, viva, tentando e evoluindo.

Entre acordes e lutos: Fazendo as pazes no meu próprio ritmo

 Por conta de muitas coisas que aconteceram, me tornei uma pessoa receosa, que quer se esconder, sumir e não interagir. Isso me faz mal e, se tratando da pessoa criativa que sou, isso me faz extremamente mal. Me expressar através da fotografia, desenho e escrita é minha fuga; mesmo sendo introspectiva e introvertida, as pessoas e seus mundos me fascinam. O luto me fez refletir sobre viver e vivenciar, algo que não estou fazendo desde quando voltei da internação em uma clínica devido à minha depressão. E, enquanto escrevo isso, me veio a canção Live and Learn, do Angra:


Remember the first time you've faced the dark


Why were you so afraid? 


Hiding so many secrets inside 


When fears have got to be tamed

Sobre o luto

 Não estava programada esta postagem. A próxima eu só faria em março, mas a gente não programa as coisas da vida. E, assim como a vida acontece, a morte também acaba nos atravessando.Sou filha de pai ausente, uma pessoa que nunca fez questão de estar na minha vida, que, quando se separou da minha mãe, fez outra família e ainda fez questão de dar o mesmo nome do filho da outra para mim. Este espaço não é feito apenas de coisas bonitas. Não escrevo apenas para mim mesma, escrevo para quem precisa libertar-se de alguma dor. Deixe ir. Deixe morrer.

Meu pai partiu faltando dois dias para o aniversário da minha mãe. Os dois têm exatamente um mês de diferença: ele, aquariano; ela, pisciana. Na escola, eu tinha que conviver com o preconceito e o estigma de ser filha de pais separados, e o Dia dos Pais era dolorido para mim. Não bastava carregar o peso do racismo; havia também esse outro peso.

🕯️Seja bem-vindo(a) ao 𝖁𝖆𝖒𝖕𝖎𝖗𝖎𝖆´𝖘 𝕵𝖔𝖚𝖗𝖓𝖊𝖞🕯️

 Este espaço nasceu do silêncio.

Das noites longas demais, dos pensamentos que não encontravam repouso e da necessidade quase urgente de transformar sentimentos em palavras. Aqui não existem máscaras polidas ou versões suavizadas da realidade apenas fragmentos sinceros de uma mente que sente o mundo com intensidade.

Cada postagem é uma página arrancada do invisível. Um registro de emoções profundas, reflexões cruas e pequenas epifanias que surgem quando tudo parece quieto por fora, mas pulsa por dentro.

Este não é um lugar de pressa.
É um refúgio para quem observa mais do que fala, para quem sente mais do que demonstra, para quem encontra beleza na penumbra e significado nas entrelinhas.

Se você chegou até aqui, talvez também carregue dentro de si essa mesma inquietação suave, essa sensibilidade escondida sob camadas de silêncio.

Sinta-se à vontade para ficar.
A jornada começa agora. 🖤🌙